Imagine uma exposição de meia dúzia de fotos (preto e branco) e pouco mais do que o tão pequeno 3×4. Sala era escura, com paredes pintadas de preto e quase nenhuma iluminação para ajudar. Minha primeira reação foi: “Não vale matéria para jornal nenhum da Globo”. Certamente, as condições fariam muitos repórteres derrubarem a matéria.
Que nada! Tive uma das maiores lições de jornalismo que já recebi na vida. O grande professor foi Flávio Fachel.
“Não importa o tamanho da sala, o volume de fotos ou a qualidade delas. O importante é o e ela tem a nos dizer, a história que escondem e o peso que carregam.”
No caso, as imagens eram fotos secretas do exército americano, tiradas dias depois da Bomba de Hiroshima.
Basta olhar, analisar cada um delas e criar sua história. É um quebra-cabeça… O importante não é a descrição do que pode ser visto, mas sim a imaginação que cada repórter tem ao observar o material.
Parece bobo, né? Mas fiquei envergonhada de cada vez que derrubei ou simplesmente pensei em derrubar uma reportagem. Afinal, não existe pauta boa ou rui. Existe sim repórter bom ou ruim, capaz de transformar uma notícia qualquer na história mais sensacional dos últimos tempos.